
Acordei cedo como sempre preparei minha bagagem
tomei meu café com leite dei um beijo na cumade
dei um grito no menino, tava fazendo traquinagem
Ja muntei no meu jumento e toquei ele na estrada
o vento tava forte meu trabalho me esperava
lembrei que na minha bolsa tinha queijo com goiabada
Bem no meio do caminho vi aquela coisa chata
o rio tava bem cheio e cortado a estrada
e pra chegar no meu destino só mesmo no meio da mata
Fui entrando no meio da mata meio que cauteloso
e lembrando das histórias contadas pelo povo
de um tal de chupa-cabra, era um bicho perigoso
Depois de uma meia hora andando no matagal
um barulho estridente de cima de um pé-de-pau
o jumento deu um breck, parecia que ABS tinha aquele animal.
Com o jumento empacado, desci e peguei uma vara
caminhando pro pé-de-pau tremendo feito uma tala
quando eu olhei pra cima era o tal do chupa-cabra
O susto foi tão grande que eu gritei feito mulher
o chupa-cabra deu um vôo caiu atrás de mim em pé
tu não vai acreditar se eu for te contar mas vou dizer como ele é
Feio que nem um soim, 10 metros de altura
quando ele abre as asas tem mais 15 de largura
tem espinho no corpo todo e ele tem uma bunda que lembra uma tanajura
tem umas unhas e uns dentes que parecem uma navalha
acho que pesa uns 100 quilos e é mais rápido que uma bala
e se ele der um espirro derruba ate uma muralha
devagar fui levantando caçando um pedaço de pau
aquele bicho me olhando com aquela cara de mau
e eu torcendo pro jumento ser o prato principal
Vi que não tinha mais jeito tive que sair corrido
mas o bicho deu um golpe e veio logo me seguindo
e eu ja tava convencido que ia ser era comido
5 minutos de carrera pra acabar de completar
pulei um toco quebrado pisei na merda de um preá
levei um escorregão tão feio fiquei com as pernas pro ar
o bicho com um pulo só me segurou com uma pata
me rodou feito pião e eu voei feito uma bala
e quando olhei pro lado ele tava comendo meu queijo com goiabada
olha só fi duma égua ta comendo meu almoço
agora tu bateu pesado, isso que tu fez é osso
agora nessa batalha um vai ter que sair vivo mais o outro só sai morto
Eu dei logo uma voadora que pegou bem na sua barriga
dei um puxão pelo rabo dei um murro na espinha
e pra acabar de completar puxei o meu facão e dei uma pisa com a bainha
Eu achei um desaforo uma falta de noção
ele comeu meu almoço e não deu nem satisfação
eu botei ele de costa e arranquei o coração
Quando conto essa história o povo começa é a rir
mas eu lembro como hoje, foi verdade isso tudim
e ta aqui o meu jumento que não deixa eu mentir...
William Araujo
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