quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

De Sol a Sol...


A vida aqui começa cedo, logo quando o galo canta

Só o Sol que é dorminhoco, mas todo o povo se levanta

Se come um pouco de farinha, deixa o muito pras crianças

Se caminha pra peleja, cada qual com sua dança

Uns prefere cantar, outros pensam na vingança

De quando sair dessa vida, se salvar dessa matança

Outros vão chorando a ladainha que aprenderam na infância

Outros vão sonhando sonhos, sonhos que nunca se alcança

Quando chegada a roça, a enxada se apanha

Naquele chão duro de pedra, é tentada a mudança

Que a chuva nunca rega, nunca se colhe a bonança

A vida assim de Sol a Sol, umaprisão sem fiança

Mas enquanto tiver forças, agente aqui não se cansa

Uns dias comemos comida, em outros esperança.


William Araujo

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