
A vida aqui começa cedo, logo quando o galo canta
Só o Sol que é dorminhoco, mas todo o povo se levanta
Se come um pouco de farinha, deixa o muito pras crianças
Se caminha pra peleja, cada qual com sua dança
Uns prefere cantar, outros pensam na vingança
De quando sair dessa vida, se salvar dessa matança
Outros vão chorando a ladainha que aprenderam na infância
Outros vão sonhando sonhos, sonhos que nunca se alcança
Quando chegada a roça, a enxada se apanha
Naquele chão duro de pedra, é tentada a mudança
Que a chuva nunca rega, nunca se colhe a bonança
A vida assim de Sol a Sol, umaprisão sem fiança
Mas enquanto tiver forças, agente aqui não se cansa
Uns dias comemos comida, em outros esperança.
William Araujo
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