
Em certa região lá do interior do nordeste
vivia um homem bravo, um verdadeiro cabra da peste
Joquinha um amigo certo dia me falou
que todos tinham medo dele,todos o chamavam de senhor.
Já outro o Francisqui, baixinho e inteligente,
moreno cabelos ralos, e na boca só três dentes
Ele era pobrezinho, não tinha nada de bonito,
mas sempre caçava um jeito de na vida ficar rico.
Francisqui certo dia no jornal leu a notícia
que o papa no Brasil viria fazer uma visita
neste momento uma luz acendeu em sua cachola
e um monte de idéias ele teve naquela hora.
Saiu gritando pela cidade, com a voz rouca e fina
Que o papa na cidade viria rezar uma missa
e o povo não acreditou quando ele começou a falar
que a vossa santidade (V.S.) era seu familiar.
Subindo em uma árvore que tinha os galhos tortos,
disse que o papa é paranormal e podia falar com os mortos.
Todos começaram a rir, quem ia acreditar nisso.
Logo começaram a se ajoelhar quando ouviram o nome de “Padim Cisso”.
Vossa Majestades “Cisso” vai vir com Vossa Santidade,
e vai ceder uma benção a alguém da nossa cidade.
Quem quiser falar comigo as coisas posso adiantar,
pois como eu já disse o Papa é meu familiar.
Uma fila de quase dez mil na praça foi se formando
e o nome das pessoas Francisqui ia anotando.
O povo ia dando dinheiro, em pequena quantidade.
Franscisqui ia dizendo que era pra Vossa Santidade.
Quando já era de noitinha, e a bolsa tava cheia,
adivinha quem chegou! Senhor Coronel Pereira.
-Que bagunça toda é essa, quem se responsabiliza,
venha cá e diga o nome que eu vou dar é uma pisa.
Francisqui, se tremendo, foi tentando se explicar:
-O Papa vai vir na cidade e uma missa vai rezar,
ele é paranormal e com o “Padim” ele vai falar,
E com uma voz bem baixinha:-Ele é meu familiar.
O Coronel se espantou e logo empalideceu.
Disse:- Eu não ouvi direito, ele é parente seu?
O senhor não ouviu foi nada, com o “Padim” ele vai falar
e vai dar a benção para um morador desse lugar.
O coronel ficou mais branco e pro Francisqui perguntou:
- O que eu posso fazer pra você ajudar o seu senhor?
-Pode pedir Francisqui, que qualquer coisa eu vou te dar,
lhe dou todo seu dinheiro, lhe dou todo esse lugar.
Eu quero cinqüenta mil só pra ir falar com o Papa,
e mais cento e oitenta mil quando a benção tiver dada.
E também quero um cavalo veloz feito um trovão,
e se não quiser pagar dou a benção para o Tião!
O cavalo e o dinheiro no outro dia estavam lá.
Francisqui montou nele e foi na cidade comprar
Umas roupas de Papa
e uma barba pra usar.
E depois de uma semana todo aquele fusuê,
todo mundo preocupado e também querendo ver.
E lá vem o Francisqui, andando vestido de Papa,
gritando: -Chame o coronel que a sua benção será dada!
O Coronel veio correndo louco pela cidade,
desviou de um gato velho caiu nos pés de Vossa Santidade.
Quando o povo viu o Papa à bagunça começou
e uma roda de dez mil naquela hora se formou.
Francisqui com uma voz estranha disse a seguinte frase
:-Conversei com o “Padim Cisso” ele mandou eu vir aqui na cidade.
Eu obedeci à ordem do “Padim” com muita alegria,
para dar a benção para o coronel filho de dona Luzia.
Neste exato momento o Coronel caiu a chorar,
Colocando a mão em sua cabeça o Papa começou a rezar.
E depois da benção dada o Coronel se levantou.
E para acabar disse o Papa:- Tu és filho do Senhor.
Um homem lá no fundo começou a gritar:
-Eu também sou filho de Deus e minha benção tu vai dar!
Ao ouvir aquilo Francisqui tentou escapar,
pula daqui, pula dali, desvia ali e aculá.
No meio da multidão viu uma criança engraçada.
Uma menina bonitinha que segurou a sua barba.
Francisqui pisou em uma pedra e tropeçou em uma galinha
e a sua barba branca ficou na mão da menininha.
O coronel quase infartou quando viu aquilo ali
e o povo ia gritando:-O Papa é o Francisqui!
Dois homens grandes e fortes levantaram ele pelo braço.
E agora Francisqui, como tu explicas esse embaraço?
Foram pegando paus e pedras, tijolos e chicotes também.
Um gritou:-Esse morre hoje! Outro lá disse:-Amem!
Quando is começar a taca o coronel apareceu:
-Pare com isso agora quem mata esse homi sou eu!
Francisqui apanhou tanto que nem cavalo de carroça,
levou cinco tacas, três pisas e pra acabar mais uma coça.
O delegado ia passando e mandou parar com aquele flagelo,
mas quando soube da história deu uma surra de chinelo.
Francisqui apanhou tanto que perdeu o coro, se arrependeu.
A surra foi tão bem dada que o coitadinho morreu.
Foi parar no céu aquele lugar tão bonito,
mas quando chegou lá deu de cara com padre Cícerro.
Esse sabia da história e foi logo perguntando:
- O que deu na tua cabeça pra tu mentir daquele tanto?
Francisqui ia respondendo quando ganhou um bofetão,
deu três rodadas ficou tonto e ainda caiu no chão.
Padre Cícero puxou a sinta e já deu nas sua costas
e falou que lá no céu de mentiroso ninguém gosta.
Francisqui se arrependeu de toda sua mentirada,
e seus pecados perdoados depois de uma surra bem dada.
Essa história é verdade porque eu não ia mentir,
ainda mais com um nome tão sério que é Cícero meu “Padim”.
Quando tu for mentir pense no nome de Deus,
porque tu viu com o Francisquim o que foi que aconteceu!
William Araujo