quarta-feira, 24 de outubro de 2012

VidA e MorTe, MortE e ViDa

Morte que conclui, termina, que finda
Morte que põe um ponto, onde a vírgula se queria
morte que traz o nada  ou então a calmaria
aquela que encerra, que apaga o que havia.

É aquela que desliga o que ligado estaria
que de mais simples não há nada, com o nada impreguina
que torna tudo igual, onde diferença havia
o que traz o descanso, onde o cansaço afligia.

O que acaba com o começo do que apenas nascia
zera a tinta da caneta, aquela que escrevia
e se encerra a bela história que a vida iniciaria

Já a vida, bem complexa, nada a explicaria
é aquela que enche do que antes não havia
é aquela que começa, inicia e até cria
é aquela que escreve no que do branco sofria.

É aquela que muda quando tropeça na ida
é aquela que não desiste e continua na lida
é a explosão do mundo e a razão de sua sina
é o motivo pela qual a morte existiria.

Uma linha com final,
umas curtas, outras compridas
e uma completa a outra,
 uma criação divina.

William Araujo

sábado, 25 de agosto de 2012

sÓ qUerO!

Eu quero teu silêncio
eu quero tuas palavras
eu quero seu sorriso
e também suas lágrimas

eu quero teus jeitos
e tuas manias
quero seus beijos
ser sua alegria

quero suas mãos
quero seus abraços
quero seu perfume
quero seu retrato

eu quero sem medo
eu quero sua amizade
eu quero o amor
eu quero a saudade

eu quero sonhar
eu quero viver
eu quero o eterno
eu quero você!

William Araujo

Tenho NadA...

Essa noite tive um sonho
sonho bem interessante...
sonhei que estava longe..
longe... bem distante.

Lá não tinha dia,
lá não tinha noite,
lá só tinha nada
sempre aos montes.....

lá só tinha eu
e de meu não tinha nada, nem meus problemas
porque problemas
você escolhe você que cria, só dar o tema.

mas ai eu percebo
que o nada é uma prisão
prisão da mente, da alma
prisão do corpo e até do coração...

você tem que ter
alguma coisa pra se preocupar
você tem que ter
alguma coisa pra se importar

você tem que ter
alguma coisa pra se dedicar
se você só tem o nada
preso você está

preso ao nada
preso ao tédio
e se só fizer nada
nunca vai ter remédio.

William Araujo

terça-feira, 31 de julho de 2012

PoR uM sEgunDo...

Uma vez em muitas delas
você tenta não se ser
tenta não pensar na vida
sonhar sem querer crer.

Querer que o real fosse um sonho
não enxergar o que se vê
querer fugir para outro astro
ou simplesmente se esconder.

Olhar o mundo a cerrados olhos
o Sol nunca mais nascer
imaginar o que já passou
qual diferente poderia ser?

Mas o Sol sempre germina
os olhos, a escuridão a romper
fugir, não sei pra onde
muito menos se esconder.

e assim tudo caminha
um caminhar sempre a correr
agora volto a respirar
lembro, tenho que viver,,,

William Araujo

terça-feira, 3 de julho de 2012

AmizaDes DescartáveIs

Já percebeu que engraçado
fácil arrumar amizades
mas infelizmente a maioria
da maior parte, descartáveis.

Te add a meia hora
com uma, te indico um livro
com duas, já sei seu nome
com três, melhor amigo...

amigo que nunca vi
que no olho nunca olhei
só sei que ele ta on
e minha vida jó contei.

Mas amanha não to legal
os amigos, todos off
e você cai na real
melhor amigo se escolhe.

mas não é em meia hora
nem uma semana, nem em um mês
bom, se você tiver 1
muita sorte, 2 ou 3...

hoje em dia é muito fácil
você tem muita opção
mas verdadeiras amizades
então quase em extinção!
William Araujo


domingo, 29 de janeiro de 2012

Francisquim, o mEntiroSo


Em certa região lá do interior do nordeste

vivia um homem bravo, um verdadeiro cabra da peste

Joquinha um amigo certo dia me falou

que todos tinham medo dele,todos o chamavam de senhor.

Já outro o Francisqui, baixinho e inteligente,

moreno cabelos ralos, e na boca só três dentes

Ele era pobrezinho, não tinha nada de bonito,

mas sempre caçava um jeito de na vida ficar rico.

Francisqui certo dia no jornal leu a notícia

que o papa no Brasil viria fazer uma visita

neste momento uma luz acendeu em sua cachola

e um monte de idéias ele teve naquela hora.

Saiu gritando pela cidade, com a voz rouca e fina

Que o papa na cidade viria rezar uma missa

e o povo não acreditou quando ele começou a falar

que a vossa santidade (V.S.) era seu familiar.

Subindo em uma árvore que tinha os galhos tortos,

disse que o papa é paranormal e podia falar com os mortos.

Todos começaram a rir, quem ia acreditar nisso.

Logo começaram a se ajoelhar quando ouviram o nome de “Padim Cisso”.

Vossa Majestades “Cisso” vai vir com Vossa Santidade,

e vai ceder uma benção a alguém da nossa cidade.

Quem quiser falar comigo as coisas posso adiantar,

pois como eu já disse o Papa é meu familiar.

Uma fila de quase dez mil na praça foi se formando

e o nome das pessoas Francisqui ia anotando.

O povo ia dando dinheiro, em pequena quantidade.

Franscisqui ia dizendo que era pra Vossa Santidade.

Quando já era de noitinha, e a bolsa tava cheia,

adivinha quem chegou! Senhor Coronel Pereira.

-Que bagunça toda é essa, quem se responsabiliza,

venha cá e diga o nome que eu vou dar é uma pisa.

Francisqui, se tremendo, foi tentando se explicar:

-O Papa vai vir na cidade e uma missa vai rezar,

ele é paranormal e com o “Padim” ele vai falar,

E com uma voz bem baixinha:-Ele é meu familiar.

O Coronel se espantou e logo empalideceu.

Disse:- Eu não ouvi direito, ele é parente seu?

O senhor não ouviu foi nada, com o “Padim” ele vai falar

e vai dar a benção para um morador desse lugar.

O coronel ficou mais branco e pro Francisqui perguntou:

- O que eu posso fazer pra você ajudar o seu senhor?

-Pode pedir Francisqui, que qualquer coisa eu vou te dar,

lhe dou todo seu dinheiro, lhe dou todo esse lugar.

Eu quero cinqüenta mil só pra ir falar com o Papa,

e mais cento e oitenta mil quando a benção tiver dada.

E também quero um cavalo veloz feito um trovão,

e se não quiser pagar dou a benção para o Tião!

O cavalo e o dinheiro no outro dia estavam lá.

Francisqui montou nele e foi na cidade comprar

Umas roupas de Papa

e uma barba pra usar.

E depois de uma semana todo aquele fusuê,

todo mundo preocupado e também querendo ver.

E lá vem o Francisqui, andando vestido de Papa,

gritando: -Chame o coronel que a sua benção será dada!

O Coronel veio correndo louco pela cidade,

desviou de um gato velho caiu nos pés de Vossa Santidade.

Quando o povo viu o Papa à bagunça começou

e uma roda de dez mil naquela hora se formou.

Francisqui com uma voz estranha disse a seguinte frase

:-Conversei com o “Padim Cisso” ele mandou eu vir aqui na cidade.

Eu obedeci à ordem do “Padim” com muita alegria,

para dar a benção para o coronel filho de dona Luzia.

Neste exato momento o Coronel caiu a chorar,

Colocando a mão em sua cabeça o Papa começou a rezar.

E depois da benção dada o Coronel se levantou.

E para acabar disse o Papa:- Tu és filho do Senhor.

Um homem lá no fundo começou a gritar:

-Eu também sou filho de Deus e minha benção tu vai dar!

Ao ouvir aquilo Francisqui tentou escapar,

pula daqui, pula dali, desvia ali e aculá.

No meio da multidão viu uma criança engraçada.

Uma menina bonitinha que segurou a sua barba.

Francisqui pisou em uma pedra e tropeçou em uma galinha

e a sua barba branca ficou na mão da menininha.

O coronel quase infartou quando viu aquilo ali

e o povo ia gritando:-O Papa é o Francisqui!

Dois homens grandes e fortes levantaram ele pelo braço.

E agora Francisqui, como tu explicas esse embaraço?

Foram pegando paus e pedras, tijolos e chicotes também.

Um gritou:-Esse morre hoje! Outro lá disse:-Amem!

Quando is começar a taca o coronel apareceu:

-Pare com isso agora quem mata esse homi sou eu!

Francisqui apanhou tanto que nem cavalo de carroça,

levou cinco tacas, três pisas e pra acabar mais uma coça.

O delegado ia passando e mandou parar com aquele flagelo,

mas quando soube da história deu uma surra de chinelo.

Francisqui apanhou tanto que perdeu o coro, se arrependeu.

A surra foi tão bem dada que o coitadinho morreu.

Foi parar no céu aquele lugar tão bonito,

mas quando chegou lá deu de cara com padre Cícerro.

Esse sabia da história e foi logo perguntando:

- O que deu na tua cabeça pra tu mentir daquele tanto?

Francisqui ia respondendo quando ganhou um bofetão,

deu três rodadas ficou tonto e ainda caiu no chão.

Padre Cícero puxou a sinta e já deu nas sua costas

e falou que lá no céu de mentiroso ninguém gosta.

Francisqui se arrependeu de toda sua mentirada,

e seus pecados perdoados depois de uma surra bem dada.

Essa história é verdade porque eu não ia mentir,

ainda mais com um nome tão sério que é Cícero meu “Padim”.

Quando tu for mentir pense no nome de Deus,

porque tu viu com o Francisquim o que foi que aconteceu!

William Araujo

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

De Sol a Sol...


A vida aqui começa cedo, logo quando o galo canta

Só o Sol que é dorminhoco, mas todo o povo se levanta

Se come um pouco de farinha, deixa o muito pras crianças

Se caminha pra peleja, cada qual com sua dança

Uns prefere cantar, outros pensam na vingança

De quando sair dessa vida, se salvar dessa matança

Outros vão chorando a ladainha que aprenderam na infância

Outros vão sonhando sonhos, sonhos que nunca se alcança

Quando chegada a roça, a enxada se apanha

Naquele chão duro de pedra, é tentada a mudança

Que a chuva nunca rega, nunca se colhe a bonança

A vida assim de Sol a Sol, umaprisão sem fiança

Mas enquanto tiver forças, agente aqui não se cansa

Uns dias comemos comida, em outros esperança.


William Araujo